quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Sorrisos

Pergunto-me a mim mesmo: O que penso quando escrevo…estas coisas? Pergunta básica esta! Sendo que todas as perguntas básicas, por serem tão básicas, tornam as respostas tão complexas. Tendemos constantemente a complicar as coisas, somos humanos, gostamos de coisas difíceis e desleixá-mo-nos com as coisas básicas. Por isso quando nos colocamos com questões básicas, tendemos a pensar como respondemos facilmente a elas. O que torna tudo muito complexo. Diria que a minha resposta andará mais ou menos neste complexo de palavras: quando escrevo, a minha vida inteira fica ali sentada no puff. Cruza as pernas, recosta-se, e olha-me. Fala-me das experiências vividas, dos sentimentos partilhados, das visões observadas e das emoções experimentadas. Fala comigo. Canta alto, em notas afinadas, nas pausas daquilo que me diz. Levanta-se e vem espreitar por cima do meu ombro para ler aquilo que escrevo. Pergunta-se se lhe minto. Quando escrevo, tento pensar no que devo e no que não devo escrever. Quem viveu a minha vida comigo. Os lugares onde a vivi. E tudo se mistura. Metade das minhas palavras é sobre ti. E a outra metade do que escrevo é sobre o espaço, que entre linhas, me mantém nesta imensa confusão de palavras. Hoje escrevo sobre o teu sorriso. O teu sorriso. Só porque será aquilo que mais adoro observar nas pessoas. O modo como me fazem sentir que nada mais importa. A maneira como nos esquecemos dos outros, como deixamos de ouvir o que dizem à nossa volta. O teu sorriso, ou a tua gargalhada, com um encolher de ombros, cria-me um frio delicioso na barriga. Esse sorriso contagiante com olhos doces e brilhantes de mulher, desprotegida e feliz, que acabou de descobrir algo importante que, sem notar, tem de partilhar. Adoro igualmente que me façam sorrir. O modo como me esqueço que a vida tem tantas coisas menos boas. A maneira como se esquece que o tempo passou, por nós, e que o sorriso foi aquilo que ficou. E é com esse sorriso, o teu, tímido, delicado e expressivo, que cativas o meu. E é com esses sorrisos, que tudo à volta, se torna complexo e tudo entre nós se torna tão simples...

sábado, 28 de novembro de 2015

Destinos cruzados


Nunca pensei em ficar assim, tonto, com aquele sorriso imenso e vago no seu rosto.
Quando os meus olhos, naquele mesmo instante momentâneo e efémero, se cruzaram com os teus e os teus com os meus, o som estridente da azáfama quotidiana calou-se. Entre nós, ficaram apenas o silêncio tímido dos nossos sorrisos, expressando todas as as palavras doces, ditas em silêncio, que partilhámos apenas com o tal primeiro olhar.
Foi exactamente assim e exactamente ali: quando os meus olhos caíram nos teus e os teus nos meus, tu ali e eu além, demos nesse preciso momento, o primeiro e o maior abraço de todos: aquele que é oferecido com silêncio do brilho dos nossos olhos; aquele que não necessita de avanços nem recuos de um ou de outro; aqueles que nos agarra um ao outro, sem querer, sem sequer nos tocar, aquele que não precisa sequer de braços, mas que apesar disso, se agarra a nós e nos aperta com tamanha força, que poucos se atrevem a separar.
Naquele momento que é, e foi, só nosso, onde nos deixámos ficar, demoradamente, o teu olhar veio ter com o meu em momentos seguintes e o meu “abraçou-se” ao teu, em uniões mais ou menos extensas, provocadas por pestanejar de olhos, sem sequer nos lembrarmos que de facto, para darmos mesmo um abraço, seria preciso que ambos se movessem no chão e se aproximassem um do outro, afastando-nos do passados que ambos vivemos.
Mas apesar desse tal passado, no meio desse primeiro olhar, um sorriso formou-se em ambos os lábios, tornando esse momento o primeiro de muitos…
E foi assim que percebemos que somos tão mais do que apenas corpos. Somos olhares, sorrisos, falares, somos memórias, somos vidas, formadas pelas nossas vivências. Percebemos então que somos homens e mulheres, e que nos milhares de homens e mulheres existentes, o destino nos cruzou, por um motivo ainda não muito aparente….

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Porque nos apaixonamos?

Diz-se que tudo começa pelo início… Ora não podia concordar mais! Tudo se inicia do nada, do nada físico e do nada emocional. Do nada em expectativas e em compromissos. Do nada, em lugar nenhum, em momento algum, de momentos únicos e singulares. De momentos em momentos, de nadas em nadas, de lugares em lugares… Dito isto pergunto-me: o que é que nos faz apaixonar por alguém? Mistério misterioso e sem uma resposta óbvia! Se fosse óbvia, estes tempos de paixão não seriam tão irracionais. Não é só porque ela é assim ou assado, não é só porque ela é bonita, não é só porque aparenta ter aquele pormenor que mais gostamos. Não é por ter aquele ou o outro atributo físico. Não é por saber falar, não é por já ter vivido mais ou menos intensamente a vida. Não basta ser inteligente, por mais que todos admirem isso. Tem de ter isso e algo mais… Diria que esse algo mais é o jeitinho de ser. Apaixona-mo –nos exactamente pelo jeito de ser próprio e da sua beleza. Não é porque ela ri-se mais ou menos alto, fala mais ou menos alto, não é por ela ter olhos azuis, verdes ou castanhos. É o jeito dela de dizer algo em voz alta como se fossemos nós a fazê-lo; é o jeito dela de mexer no cabelo, de forma lenta e sensual. É o jeito de caminhar. O jeito de usar a camisa por fora das calças, ou o maneira como se produz em cada momento especial. É a sua elegância. Não importa a roupa que ela veste, vai-te parecer sempre perfeitamente belo. O jeito de passar a mão no cabelo. O jeito de rir ou sorrir. Adoro sorrisos (foi só um aparte). É o jeito de tocar, de olhar… A sua beleza, torna-nos dependentes daquelas emoções físicas que o outro nos provoca. A voz dela provoca-nos, o olhar derrete-nos. O ar misterioso e por vezes enérgico, surpreende-nos. Entregamos-nos no querer desvendar cada mistério, no querer testar a calmaria daquele corpo. Sentimos o vício a despertar pelos diálogos mais ou menos constantes. Por exemplos das próprias vidas, que nos vão mantendo conectados no conhecimento mutuo. São os detalhes faciais, a maneira dos olhos brilhar, a maneira sensual como achamos que se move, e que nos faz perder a calma.
E no exacto momento em que esses corpos se encontrarem, gera-se uma sintonia, que fazem os seus corpos enlouquecerem, a tua mente derreter e o teu coração ter momentos de aceleração e desaceleração, intervalados por êxtases totais. Nestas alturas o respirar já não tem graça, queremos é mesmo perder o fôlego, provocada pela inspiração das acelerações e expiração das desacelerações. E nessa perca de fôlego, provocado pelos nossos corpos, faz-nos parecer a física mais sensata. Pensamos exactamente que quando está frio, sabemos onde nos esquentar. Quando estamos melancólicos, sabemos onde nos alegrar. Exactamente naquele abraço e naquele olhar. Quando nos sentimos sós, sabemos quem queremos para dialogar. Quando estamos enérgicos, sabemos exactamente quem desejamos para nos cansarmos. Quando nos encontramos, sabemos exactamente que nos queremos. Pensamos nessa altura que os nossos corpos são como um vulcão em erupção. E não importa há quanto tempo nos conhecemos, quando a sintonia é despertada e a vontade tende cada vez a aumentar mais. Nessa altura, não adianta tentar manter a calma, a atracão atrai, o desejo devora-nos e a entrega acontece… E é exactamente por isto, que nos apaixonamos! Digo eu…

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Demoras-te?

Estou aqui sentado. Não se ouve mais nada a não ser a palavra França e terrorismo… que noticias maçadoras! Algures mais um raide, algures mais uma explosão, algures mais um ataque. Caças, misseis, bombas, atentados… Estou farto de fazer zapping, mas nada de jeito me entusiasma! Falasse sobre Portugal também. Algures, num qualquer canal destes “milhentos” que a tv diz que tenho! Diz-se que o Cavaco, está na Madeira a gozar umas férias… Ou será a fugir das suas responsabilidades?! Enfim… por fora destas paredes o mundo parece estar em constante turbilhão, em constante perda… Assim como eu! Ando perdido em pensamentos… Acabei de me permitir a perder-me num deles. Assim sendo a escolha foi perdi-me em ti… Uma, duas, três vezes. Ando como que uma bússola andante. Sul, Norte, Este e Oeste, os quatro num único sentido. Tu.
Tens um talento inato para despertar em mim todos os sentidos. Fazes-me ficar alerta para ti e para o teu corpo. Fazes-me colocar todos os sentidos alerta. Fazes com que venham para o aflorar da pele. Gosto de te sentir por perto. A tua presença acalma-me e coloca-me um sorriso no rosto. Gosto dos nossos diálogos.
Apeteces-me. Na demora de um diálogo parvo. Apeteces-me. Na demora do conforto. No silêncio de um beijo. "Apeteces-me"... Disse-te agora mesmo. Não ouviste? Ei-de ganhar coragem para o gritar.
"Por onde andas? O teu cheiro ficou!” Pergunto-te. O teu sorriso contagia-me. A tua simplicidade, derrete-me. “És isso tudo em tão pouco tempo?” Questiono-me assim do nada.
Respiro profundamente, a tua imagem que insiste em ficar invade-me a mente, olhos fechados e quase que te oiço… ”Estás sempre a rir!!” Quero-te aqui, agora… Desejo-te no descompensar do meu coração, na iminência de pulsar da veia que é irrigada por sangue… Quero beijar-te, tocar-te, como se fossemos um só. Por isso, vem… Vem em suspiros profundos, em batimentos lacerantes… Não aguento mais esta espera incessante, esta apaixonante demora! Porque tens o poder de me arrepiar quando me olhas, quando me sorris…
Com um simples roçar de pele. Com uma respiração mais próxima. Com uma troca de olhares.
Por isso, vem… Estou aqui, hirto, a imaginar-te, como se fossemos um só. Enrola-te em mim. Entrelaça o teu corpo no meu. Cai nos meus braços. Esquece o risco e aproveita a queda. Traz o abraço que eu levo o corpo. Traz o beijo que eu levo os lábios. Traz a urgência que eu devolvo a calma. Traz-te. Eu já cá estou. O meu desejo é fácil de adivinhar. Qualquer coisa entre o estares aqui ou eu estar aí. Entre um beijo meu ou um beijo teu. Entre um abraço em ti ou um abraço em mim. Entre o tu dares-me a mão ou eu agarrar-te a tua. Algures pelo meio de nós os dois. Aqui ou aí. Alteras-me como há muito não acontecia. Sinto-me alerta à tua passagem. E então demoras-te, a perceber que te desejo?...

domingo, 1 de novembro de 2015

Sorrisos surpreendentes

Olho para esta folha de word em branco. Abri sem querer. Não estava com a disponibilidade de escrever nada. Contudo ao vê-la assim, tão branca, tão desprovida de algo, iniciou-se em mim uma vontade absurda de lhe colocar umas palavras. Procuro no meu pensamento, por frases feitas. Não me ocorre nada. Será porque há um tempo para tudo? Exacto é isso! Há um tempo para tudo… Há pouco não me ocorri ter qualquer vontade de iniciar mais um texto. Mas agora sinto vontade de o fazer… Há um tempo para tudo...
Tempo. Palavra crucial perdida no meio daquelas outras, que compõe aquela bela frase. Tempo para tudo. Tempo de tudo. Tempo de nada. Tempo do meio termo, entre nada e tudo. Nada acontece por acaso. O tempo encarrega-se que aconteça. Há um tempo para lamber feridas, para ficarmos ali no nosso canto, mais ou menos escuro, mais ou menos claro e brilhante, não permitindo que ninguém se aproxime. Há um tempo para a revolta interior, para a baixa auto-estima, para nos sentimos mal connosco, para nos sentirmos desinteressantes. Tempo para entrar em guerra com toda a gente e connosco próprios. Todos temos tempos destes. E todos tempos do inverso. Só que para chegar ao inverso, passamos pelo tempo do meio termo entre o tudo e o nada. Tempo de acalmia. Um tempo que é só nosso e onde aprendemos a crescer. Sozinhos, ainda que no meio da sociedade. Em que a apatia e indiferença é quase confortável. Onde decisões são quase um corpo estranho, que temos tendência a tratar para tentar uma cura rápida. Esse tempo muda. E passa a tornar-nos normalmente bem mais fortes do que no dia anterior. Aprendemos com erros e começamos a olhar mais a volta. A não ter tantas expectativas e a deixar-nos levar por aquilo que o dia-a-dia nos dá. Há um tempo de leveza e de certezas. Há um tempo em que percebemos que já não somos o mesmo, ainda que sejamos os mesmos. Há um tempo em que temos a certeza que o passado é lá de trás e o futuro é novo e a estrear. Este tempo permite, que outros entrem dentro de nós para entender isto tudo. Esse tempo é normalmente caracterizado por uma palavra da qual adoro o significado físico e literário. Surpresa. Gosto de surpresas! Melhor...Adoro surpresas! Gosto da adrenalina que se revela à mínima tentativa da percepção da antecipação imediata do que aí vem. Do sabor e tacto das borboletas na barriga. Do choro e riso que às vezes aparece. Da excitação proporcionada pelo acontecimento físico de algo. De entrar numa sala e ver quem não imaginava encontrar. De abrir a porta e… me apareceres aqui. Por apareceste na minha vida. Sem pedires autorização. Sem pedires “se faz favor”. Andas por aí a vaguear e agora apareces aqui de para-quedas. Pronta a que te tente amparar a queda. Então eu digo-te “Enrola-te em mim. Entrelaça o teu corpo no meu. Cai nos meus braços. Esquece o risco e aproveita a queda. Traz o abraço que eu levo o corpo. Traz o beijo que eu levo os lábios. Traz a urgência que eu devolvo a calma. Traz-te, assim tal e qual como és. Eu já cá estou.”… Surpresas e sorrisos. Surpresa por ter escrito este texto. Sorriu por ter tido vontade de o escrever.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Pensamentos...

O som deste silêncio melancólico, compassa com o ruído que lá fora tende a perturbar os meus pensamentos. Ali na sala oiço o constante “martelar” de notícias sobre qualquer coisa como “Possível governo de esquerda”. Batalha-se pela palavra. Vozes assumem-se mais fortes que outras. Enfim…
Pela casa já se sente o cheiro de jantar, pronto a servir. Dia cansativo este. Sinto-me em pleno estado de relax. Tendo em pensamentos, mais ou menos banais, mais ou menos quotidianos. Penso nisto e naquilo. Esboço planos do que quero fazer para o dia de amanhã. Tenho de treinar. Aproximam-se dias importantes de provas. E puf… Tudo muda! Raio desta mente que tem tendência a virar pensamentos! Penso nestes dias. Nestes últimos. Tem sido de constante azáfama. Esta azáfama, que tende a querer ser quebrada por uns simples momentos contigo. Em pensamento. Penso nisto vê se gostas:
“Cabelo molhado, boca seca, olhos de gula e saudade.
Ao ritmo de som de palavra nenhuma, dizemos quero-te, desejo-te querendo tocar-te. Perde-mo-nos em beijos, rasgamos as roupas. Peço-te que esperes, vou buscar o vinho. Brindamos no momento ao momento, e ao futuro que a noite nos trás. Os teus beijos tornam-me embriagado pela intensidade dos teus lábios. O teu corpo, torna-me acelerado. Entra-mos num frenesim acelerado, ao belo registo de uma manhã em que tendes a acordar tarde para o trabalho. Nenhum de nós tem controlo. Percorro-te no teu corpo. O teu cabelo, fascina-me! O teu olhar profundo, hipnotiza-me. Belos olhos os teus. Intensos. Arredondados. Pele macia. Sedosa. Bem cuidada.
Vontade que não comando. Desejos que vivem em mim. Perco a noção do tempo, no descompensar da respiração. Horas passam a minutos. Abraços passam a marcas nas costas. Céu em inferno. As nossas palavras convertem-se em suspiros. Agudos. Prolongados. Suspiros que ecoam pelo corredor. Fazem eco pelo espaço. As velas que soltam o fumo e o vapor que nos sai do dos corpos, tornam a cena perfeita. Sinto o teu suor. As nossas mãos a entrelaçarem-se num aperto típico de desejo ardente. As tuas feições são lindas. Molda-mo-nos um ao outro. Os nossos corpos, movimentam-se num único balanço. Ritmado ao som de gemidos. De palavras menos próprias. De “olhares carnais”. O nosso desejo passou de esboço, para a cama com contornos de libido inflamado. As nossas trocas de olhares cúmplices. Êxtase total. Orgasmo múltiplo. Posições banais, convertidas, invertidas. Tudo vale. Jogos de prazer. São dois corpos. E ambos se sentem em prazer ao lado um do outro…” Apenas um desejo. Desejo mútuo do primeiro beijo. Questiono-me se um dia algum de nós tenderá a tomar a decisão de o dar. Entretanto o contador para que isso aconteça, parece-me que cai a cada dia. A cada semana. Pareces-me um anjo caído, vindo do fogo que me tende a atormentar…
É hora de jantar tenho de ir.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

E entretanto ocorrem surpresas...

A vida é feita de entretantos. Dos mais básicos, aos meus complexos. Mais ou menos longos. Alguns duram um passo, quando viras no cruzamento mais próximo da vida. Outros demoram uma caminhada ou uma maratona, quando permaneces neles. Contando todos os passos que dás para a percorrer.
Neste momento, estou no entretanto a escrever este texto. No entretanto imediatamente anterior a este, deu-me para pensar em escrever algo. Neste entretanto, neste mesmo, apetece-me escrever sobre a surpresa, que entretanto senti. Ou sinto. Ou entretanto, sentirei. Portanto, surpresa. E no entretanto? Ora diria que sinto surpresa. Não sei como começar este texto. Normalmente isto não me acontece. Bem, o mais fácil é entretanto, pausar para pensar. Voltei. Diz-se que tudo começa pelo início. E se eu aqui dissesse que neste caso, tudo começa pelo meio? Isso mesmo. Não digo pelo fim, porque isso seria parvo, aos meus olhos, aos teus olhos, aos olhos de todos. Mas sim, entretanto pensei e é isso mesmo. Começa pelo meio. Ou devia trocar o tempo verbal? Será começa ou começou? Nem sei. Ou melhor, ainda não sei. Mas espero descobrir. Começando…
Andava assim, à procura de sorrisos e escondendo as tristezas. Sorria. Amuava. Tropeçava. Em tudo. Batia contra paredes enormes. Magoava-me. Dava tudo. E recebia muito pouco. Andava assim, tentava ocupar o tempo e a mente. Não estava fácil. Trocava as voltas aos dias e o sentido às noites. E tudo mudou.
Cada vez mais acho que as surpresas vêm de onde menos se espera. Naqueles entretantos que falei em cima. Vem de um sítio tranquilo e estável, não vem de uma viragem súbita no próximo cruzamento, nem de uma correria pelas caminhadas e maratonas, que como começam, mais à frente acabam. Estou farto disso. Esta veio de um sítio que nos parece meigo e calmo. Que nos parece cheio de carinho e nos pergunta como estamos. Vem de um sítio em que nos sentimos bem. Sem darmos por isso. Cresce, transforma-se e molda-se sem nos apercebermos. Nos entretantos, estás a ver? Vem da pessoa que já ali estava, ou melhor neste caso, vem da pessoa que ainda não estava, mas que agora começa de forma súbita a estar. Vem do sorriso, que é transmitido pela troca longa de olhares atentos. Vem de diálogos mais ou menos monótonos. Mais ou menos interessantes. Mais ou menos longos. Vem de piadas e risos. E sorrisos. Vem das diferenças que se aproximam. Vem das semelhanças que se fundem. Vem de vivências conjuntas. De toques. Inocentes. Fugazes. Mas que nos permitem sentir. Sentirmos a presença um do outro. A respiração um do outro. O corpo um do outro. Dizem que uma das melhores coisas da vida, é daquilo mesmo que de falo aqui. Surpresas. As pessoas tornam-se surpreendentes. Do nada, acontecem entretantos. Que nos levam a moldar opiniões. Há pessoas que não sabemos porque as queremos por perto. Não sabemos o que vemos nelas. Sabemos só a maneira como nos transportam para lugares que mais ninguém consegue. Ah! Estas nossas vidas! São tão cheias de surpresas. Concordas. De certeza! Hoje tenho a certeza que quase sempre estamos com os olhos fechados e deixamos sempre de ver a vida como ela é. Linda e natural. E foi assim despreocupadamente que a surpresa se revelou. Ali mesmo ao virar do cruzamento, que nos leva numa caminhada, estavas tu. Sim tu. Não sei se a vida nos iria unir de alguma forma, qual a ligação que se vai solidificar entre nós. Para já está nisto. Mas acredito que ela nos tenha antecipado esse momento. Porquê? Olha ainda não te sei responder, mas quero aprender e apreender o máximo ao máximo, para que te possa dar uma verdadeira resposta. Dizer-te: “A vida uniu-nos precisamente para isto”. Contudo, sinto algo. Algo que pode até ser parvo. Ser impensável. É as vezes temos pensamentos impensáveis. Que nos fazem sentir, coisas impossíveis. Mas sinto que há uma contagem decrescente para o nosso beijo. Quanto mais vais durar? Não sei. Não sei em quanto vai ainda, mas está a decorrer…