segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Alguém

Desde o primeiro olhar, me perguntei porquê. Não sabia explicar. Nem mesmo agora as explicações tendem a ser explícitas. Anda tudo tão vago. Tornaste-te diferente aos meus olhos. Ali parecias-me tão desinteressante. Aqui pareces-me tão cativante. Ali não me interessaria. Aqui ardo por dentro quando me ligas. Confuso. Dou comigo a andar as voltas com a minha cabeça, a pensar o que de interessante vi em ti… Foi então que tive a explicação. Surpresa. Surpreendeste-me. A tua diferença surpreendeu-me e cativou-me. Tantas vezes falo de como é bom haver surpresas na vida. Diria que tu foste uma das mais agradáveis que já tive. A vida é feita disto mesmo. Surpresas. Nada é deixado ao acaso. Elas vêm quando menos se espera. Estão ali “mortinhas”, para nos passarem uma rasteira. “Não me viste? Estava mesmo aqui”… Adoro que elas aconteçam em determinadas alturas. Aquelas em que menos esperamos sabes? Nós nascemos, crescemos, começa a criar as nossas raízes, vivemos, apanhamos com tudo aquilo que o viver da vida nos proporciona. Criamos novas histórias, novos laços, amigos e momentos, perdemo-nos no tempo, nas horas, nas ruas, nos afazeres diários, nos erros, por vezes caímos e choramos. E continuamos. O caminho levou-me a apreciar a tua surpreendente diferença. Não, não esperava que isto acontecesse. Não estava a espera de gostar do teu primeiro “olá”, dos teus olhos brilhantes, da tua pele macia, da tua voz desconcertante, do teu riso eufórico. Apenas te quis conhecer por diversão, por me fazeres rir, por me sentir solto contigo. Podia ser eu próprio contigo. Sempre o fui e sempre serei. Mas à medida que fomos falando eu queria mais que isso, mais do que apenas diversão, rir-me ou dizer disparates. Queria ficar, e nada mais me importava do que estar ali a ouvir-te. Comecei a ver-te com outros olhos. É tão parvo. Como é possível estar a gostar de conhecer alguém que aos meus olhos é tão diferente de mim? Não sei mas esta diferença cativa-me. Tudo em ti cativa-me. Encantas qualquer um com esse teu sorriso. Impões a tua presença quando chegas. Poderosa. Exuberante. Sem meias maneiras. Menina que a vida muito cedo ensinou a ser mulher. És tudo aquilo a que não estou habituado a lidar. Totalmente decidida. Choras por dentro. Berras por fora. Essa tua capa deixa-me desconcertado muitas vezes. Não sei com o que contar da tua parte. A tua forma de ser encostou-me contra uma parede. Quis batalhar para deixar que ela me tocasse, mas não consigo. Aos poucos vou-me moldando ao teu jeito. Vou-me sentindo disponível para ser educado por ti. Para me ensinares. Não, não me arrependo de nada do que fiz até agora contigo. Fui feliz. Acho que contigo tenho vindo a conseguir esquecer a minha rotina diária. Tens-me feito sentir vivo. Precisava disto. De me sentir vivo. Dás-me pica e adrenalina para saltar do caminho já trilhado. Não, não quero ir atrás de ninguém. Porque existe sempre um "alguém" que aparece sem se dar conta. Na mais ousada surpresa da vida. E, no meio dos dias cheios de rotinas pré-estabelecidas e de gente que nos absorve, por vezes, nem damos conta que "alguém" ali está. Contudo, apercebi-me que “alguém” estava a querer aparecer. È por este “alguém” que se sente-se a falta, reclama-se, ri-se, manda-se acordar e dormir que já é tarde, diz-se que se vai ao supermercado, que se vai ali e acolá. É por esse “alguém”, que se faz de tudo. Contam-se as piadas mais sem graça e têm-se as conversas menos interessantes, pois nem sempre há algo importante a contar. É bom ter um "alguém".
Coisas dos dias de hoje. A vida é feita de alguns “alguéns”, até hoje tive muito poucos e tu certamente começas a ser um deles.

Apeteces-me

O meu desejo é fácil de adivinhar. Algo entre o estares aqui ou eu estar aí. Entre um beijo meu ou um beijo teu. Entre um abraço em ti ou um abraço em mim. Entre o tu dares-me a mão ou eu agarrar a tua. Palma com palma. Dedo com dedo. Ou então sem palmas e dedos e apenas e tua companhia ao meu lado. Algures pelo meio de nós os dois. Aqui ou aí. Leva-me. Deixa-me experimentar-te. Deixa-me viver-te. Olhar-te e tocar-te. Deixa-me provar-te que mereço. Que te deixarei livre. Ninguém é de ninguém. Deixa-me tocar-te. Tocar esses lábios com um beijo, tocar-te com as minhas mãos. Desejos. Toques. Sussurros. Gemidos de prazer. Toques que nos deixam alterados. Risos. Horas a falar. Diferenças. Semelhanças. Dissabores. Alegrias. Contactos. Ausencias. Saudades. Olhares. Sorrisos. Passeares. Noites, Dias. Copos, Danças. Experiencias. Leva-me só. Surpreende-me. Leva-me onde nunca fomos. Apetece-me viver-te. De surpresa. Leva-me a sorrir contigo. Contar estrelas.. Vamos cheirar o mar à noite. Oferece-me "aquela" música. Oferece-me um segundo primeiro beijo. Leva-me. Veste-me o teu abraço e vamos apenas. Leva-me. Nem precisas de dizer nada. Agarra em mim e pronto, deixa-mo-nos ir.. Sentar-me numa esplanada a ver um mar revolto de Inverno. Deitar-me na areia, numa noite de Verão, debaixo de um tapete de estrelas, a contar cada uma delas. Ter-te ao meu lado. Sempre. Adormecer contigo e acordar com o teu pequeno almoço. Um sofá, um filme, pipocas e o teu ombro, numa tarde de chuva. Uma conversa sem fim, onde as horas se perdem. Um jantar para dois. Um pôr do sol contigo. Os primeiros raios de sol a dois, porque não se dá pelo tempo passar. O meu sítio preferido? Contigo. Muito perto. Fique isso onde ficar… Apeteces-me!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Saudades

Saudades. Hoje falo-te sobre este sentimento, que tem um misto de sensação positiva e negativa. Saudade… Foi pesquisar um pouco pela palavra. Vou-te citar um pedaço da minha pesquisa: “… Saudade descreve a mistura dos sentimentos de perda, falta, distancia e amor…”.
Bem me queria parecer que esta palavra despertava um misto de sensações. Tinha quase a certeza. A frase que te citei, esclareceu-mas. Portanto hoje apetece-me falar sobre esta minha certeza. Sobre certeza da palavra saudade.
Começo talvez por te escrever o que penso sobre a palavra. Para mim saudade é como água passada que se acumula nos nossos corações, inundando os nossos pensamentos, de recordações. Mais ou menos intensas. Mais ou menos vividas. Outras que gostaríamos de ter vivido mais. Outras menos. Normalmente dir-te-ia que seria daquelas que gostaria de ter vivido mais, mas não estamos aqui para falar do que “digo”, mas sim do que “penso”. Saudade é falta. Saudade é estar só e ao mesmo tempo rodeado de uma presente ausência, de pensamentos recorrentes, de desejos infindáveis. Saudade é adormecer sentindo, é sonhar recordando, é acordar desejando. Saudade não tem cor, mas pode ser cinza quando não há luz ou iluminada ao primeiro raio de sol. Saudade não tem cheiro, mas se me perguntassem como o imagino, diria que se parece com o teu. O teu cheiro. Saudade é olhar para o relógio e contar o tempo, pará-lo por vezes, é acreditar que ele está mais lento, na tua presença. É ter a sensação de que todo o aperto acabará em alguns minutos, dentro de um abraço. Num instante apenas, na união de dois lábios. Saudade é desorientação, é não saber e tentar imaginar onde está quem queremos. Saudade é música que aperta o peito, riso que desperta o choro. As saudades, transbordam dos nossos olhos, em forma de gotículas de lembranças, desejando que estas, acabem na realidade dos nossos lábios. Hoje foi mais um dia e, mais uma vez, dou comigo, separado de ti, para escrever sobre o dia que se passou, mas só me acorre que a coisa principal que aconteceu foi ter saudades de ti. Outra vez. Saudades dessas horas que passamos. Tenho saudades de ti quando acordo, antes de perceber que não estás ali ao meu lado. Tenho saudades do teu sorriso, e do jeitinho envergonhado como o fazes. As horas contigo são os bocadinhos que os nossos tempos nos permitem. Que tu nos permites. Que eu nos permito. Que nós nos permitimos. Sairia a correr, se soubesse que essas permissões tinham sido aumentadas. Correria, quando me bastaria caminhar. Caminhava quando me bastaria correr. Saltava quando me bastaria caminhar. Andava… Quando me bastaria apenas o teu sorriso e o teu olhar… Saudades!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Nada para o tempo

Nada para o tempo… Tudo é ditado pelo tic-tac dos ponteiros, num looping constante das horas a passar nos diversos relógios da tua vida. O tempo é efémero! Muitas vezes já certamente te deparas-te, com múltiplas situações em que querias pará-lo, fazê-lo andar para trás, outras em que davas tudo para empurrar os ponteiros dos minutos ou das horas, melhor ainda. Parar o dos segundos. Tudo por vezes acontece em segundos…

O tempo torna tudo num leve destino. Sim leve, como os segundos, estás a ver? Não gosto de coisas demasiado pesadas, tona-as complexas não achas? Gosto mais de tudo levemente ditado. Tornando esse tal destino, num leve encadear de simples momentos. O encadeamento que nos leva aos locais certos e as pessoas certas. É por este encadeamento de simples momentos, proporcionados pelo tempo e que nos levam as locais certos e as pessoas, que muitas vezes decidimos recomeçar. Tudo de novo. Deitamos fora o que não valeu a pena. Removemos tudo que não foi bom. E com o que sobrou reconstruímos. Abrimos brechas. Abrimos sorrisos.

Deixámos que pessoas novas entrem no “nosso mundo”. Deixamos que o encadeamento de simples momentos, nos selecionem as pessoas certas. Os locais certos. Até que por fim, depois de todos esses encadeamentos, ficas apenas com a pessoa certa. No local certo.

Precisamos muitas vezes de recomeçar. De construir novas paredes, em lugares onde os erros plantaram buracos. São essas paredes, que de uma forma simples (adoro o significado desta palavra, pela forma como ela transmite naturalidade), permitem que, só quem tenha a coragem de as escalar, entre na nossa vida. Num dia. Num momento. Não apenas para deixar rastro, mas para marcar num registo de relação interpessoal (numa qualquer forma que esta possa seguir). A sua presença.

Foi esta presença, que decidiste marcar. Tanto andas-te por cá, que agora permaneces. Quase de forma impercetível (pois não te deves ter dado conta mesmo) escalas-te aquela parede que vinha formando. À medida que ia colocando um bloco, tu parecias que subias dois. Nem te deste conta pois não? Claro que não. Nem hoje mesmo, suponho que te dês conta, que por aqui andas. Não fisicamente. Não por palavras. Não por risos. Mas por pensamentos. Esses mesmos que me ecoam, num qualquer instante aleatório do dia.

Estás aí, continuas igual. Bonita, olho arregalado, elegante, mulher decidida, despreocupada, amiga, meiga. Continuas igual. Desde aquele momento em que nos conhecemos. Aleatoriamente escolhidos. Num acaso, cruzamos as nossas vidas. Naquele mesmo espaço e rodeados por essas mesmas pessoas, lembras-te? Nada acontece por acontecer. E talvez sem querer, ao apareceres percebi que estaria pronto. Pronto para te deixar subir a parede que fui construindo. Por isso hoje chamo-te em silêncio, tentando perceber se ele se torna ensurdecedor ao teu ouvido. Hoje chamo-te aqui no meu pensamento, tentando perceber se ao mesmo tempo o ouves no teu. Se aí estou. Mesmo que esporadicamente. Mesmo que por um segundo. Um minuto. Um dia…

Nessas alturas gostava de aí estar, mas nada para o tempo…

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Hoje desvendo em mim o teu corpo

Hoje desvendo em mim o teu corpo, que sei repleto de múltiplas viagens. Roteiros secretos. Passagens mais ou menos sinuosas. Declives mais ou menos intensos. Descobertas. Curvas de toque. Vales. Escarpas. Montanhas. Nele, tudo eu descobria lentamente. Em tudo eu exploro, percebo, assinalo, guardo. Guardo fechando os olhos, perdendo-me nessa longa travessia, sem destino, sem rotas específicas, sem paragens. Ou melhor, com paragens mas apenas as necessárias. Assinalo, com o tato das minhas suaves mãos. Percebo, com a visão que deslumbra, tamanho segredo. Exploro, com o sabor que o teu corpo que transmite. E é aos poucos que o percorro. É aos pedaços, guiado por algo que já não é o instinto...

Ah... Quantas rotas e destinos o teu corpo me permite... Quantas abstrações, quantos delírios. E arrepios que me habitam na tua ausência. E palavras que ecoam, sem filtro, por esses vales anunciando um qualquer instante de prazer. E o desejo passa do mais complexo ao mais simples. Começa por fundir-me na tua pele macia e delicada, para me guiar, numa longa viagem de desejos e sussurros intensos, de gemidos, de agarrares fortes, a fim de nos complementar, em apenas um. Deixando-nos inundar pela presença do outro. Pelo ritmo do outro. Pela compreensão do outro. Pela magia de vibração mútua.

Ah... O teu corpo, imerso num percurso sem limites, sem obstáculos... Quero sabê-lo todo, com as minhas mãos, num silêncio que é nosso, perdidas num leve toque de desejo, de prazer. Quero senti-lo vivo com as palmas das minhas mãos. Quero tocá-lo com os meus beijos. Lentamente e ritmadamente. Quero tê-lo em mim. Só para mim. Enlouqueces-me o coração... Fico com saudades. Tantas que em ti, de mim eu sinto. E é assim que existo: entregue à paixão de ser o teu destino. Por isso, surpreende-me. Conquista-me ou reconquista-me a cada dia, minuto ou segundo. Deixo ao teu critério. Tu decides.

Eu continuo aqui a desejar-te, por estados, por estágios, por momentos, por risos, por olhares… Por palavras!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Porquê que apareces-te?

Dir-te-ia que não esperava que aparecesses. Não nesta altura, não neste momento, não neste estado físico. Não esperava que ninguém aparecesse. Mas… Apareces-te. Vieste e desde logo uma parte de ti ficou. Não sei se muita ou pouca, mas pelo menos uma parte de ti, pousou no meu pensamento. Chegas-te tal qual, com esse teu sorriso doce, com esse jeitinho meigo. Chegas-te e tentas-te colocar logo aquela pressão. Não paras-te! Continuas-te. Com “urgência” nos fomos conhecendo. Puxaste-me para ti. Envolveste-me quotidianamente e controladamente na tua vida. Falamos e falamos. Andamos e andamos. Rimos. Gargalhamos. Olhamos. E tudo com a simplicidade de um conhecimento ingénuo. Nada era ou estava a ser programado, nada nos diria que nos parecíamos em muito e nos afastávamos em quase nada. Podíamos fazer de conta que nada se passava, seria até o mais simples. O mais básico. O mais consensual. Contudo, falo por mim, não gosto de coisas demasiadamente simples, ou básicas ou consensuais. Gosto do rebuliço, da agitação, do que se torna pouco simples, gosto de estar sempre a lutar por algo, por alguém. Assim consigo sentir a urgência, de te conhecer, de te falar, de te olhar, de te ver. Dos minutos a passar e das palavras ditas de maneira fluida e cúmplice. Muitas vezes sem a necessidade de verbalizar, de recorrer a recursos estilísticos, a reticências e a pontos de exclamação. Podíamos fazer de conta que o dia era só nosso — ontem, hoje e amanhã, e mantermo-nos assim, tal qual, não achas? Adoro os nossos momentos. O não te ver, é como ir passando os dias. É encobrir saudades numa vida quotidiana de trabalho e de efémeros momentos de felicidade. É esquecer-me de mim e lembrar-me de ti. É a dúvida de como te sentes. De como estás. Do que queres. Do que pensas. Do que és. O não te ver, é o não estar em mim.

Confesso sinto falta de ti, não te sei quantificar mas sinto. Assim como eu te conheço. Sem artifícios ou melhoramentos. Podes vir da mesma forma, como da primeira vez. Podes vir assim, tal qual como estás. Se aqui estivesses apetecia-me um olhar calado: um olhar que diz mil palavras, tornando o silêncio ensurdecedor. Se aqui estivesses queria o abraço: aquele abraço em que o corpo do outro passa a fazer parte do nosso. Se aqui estivesses queria as conversas de fim de dia. Queria o sorriso de todos os dias. Queria tudo isto. E mais um pouco. Questiono-me então: porquê que apareces-te? Assim, sem bater a porta? Sem dizer “posso entrar?”… Só me assalta uma resposta: para me fazer sorrir…

terça-feira, 16 de junho de 2015

Não sou deste tempo

Há alturas em que não me sinto deste mundo. Há alturas em que não me sinto deste tempo. Onde tudo me parece tão complexo. Porque que temos sempre, ou quase sempre, a tendência em complicar o que a vida tornou simples de decifrar, de viver, de medir, de percepcionar…
Tudo parece descartável e fácil. Parece que ninguém, ou quase ninguém, se nega a um simples momento, mas e de forma a tornar tudo descartável, já vai com os todos os anticorpos em modo de alerta máximo. Parece que não pertenço a este mundo, onde se coloca na reciclagem aquilo com o qual não nos apetece lidar. Onde tudo ali, bem arrumado, referira-se reciclagem, se torna bem mais simples de viver, do que descontrolado numa autêntica desarrumação típica de um “ambiente de trabalho”. Gosto mais desse tal “ambiente de trabalho”, onde temos a hipótese de baralhar e dar, de desarrumar mais um pouquinho, de ajustar em altura tudo o que a nossa parte emocional nos diz para ajustar. Gosto de coisas pouco monótonas, demasiado arrumadas. Sou assim, vivo muito, intensamente. Não sou deste tempo, onde se encontra com facilidade uma outra opção disponível e menos trabalhosa e se acomoda a ela.
Não sou deste tempo onde se acha que se ama, e à mínima palavra mal dita, mal interpretada, se dá um passo atrás e se decide ir em busca de algo que não desarrume demasiado a nossa reciclagem. Não sou deste tempo, onde tudo, ou quase tudo, é dito por meias palavras, onde se oferece apenas um meio abraço, um meio olhar, um meio carinho. Não sou deste tempo, onde tudo é levado em lume brando, não dando tempo sequer para perceber o que poderia, ou até não, resultar daquela simples e genuína abordagem. Aquela abordagem desconcertada e vivida pela experimentação das emoções e sentimentos vividos, instantaneamente.
Não sou deste tempo, onde tudo parece demasiado controlado pela razão, que até por nos é desconhecida, só porque não queremos desarrumar demasiado aquela espaço, físico ou emocional, que tão pouco trabalho deu a colocar na “reciclagem”. Não sou deste tempo, onde apenas mostro metade de mim, guardando o resto para caso de algo correr mal, a ressaca não seja vivida no limite. Sou assim, mostro-me tal qual, sem filtros, sem receios. Sou transparente. Não sei mostrar apenas uma superfície de mim. Não sei, passar despercebido quando gosto. Não consigo passar apenas ao de leve quando gosto. Gosto que me sintam, que me saibam sentir. Não sei ser apenas uma parte. Não sei gostar com facilidade, não me apaixono assim, pelo estalar de dedos, ou por magia. Contudo, quando gosto, quando estou apaixonado, sou intenso, demonstrativo e meigo. Gosto de gostar de alguém, de sentir o sentimento, de o experimentar, de o demonstrar. Não por necessidade, mas sim porque adoro viver, adoro estar apaixonado, tudo se torna tão simples e belo. Haverá sentimento mais intenso, do que o sentimento interpessoal? Penso que não…
Por isso não me sinto deste tempo, onde tudo e descartável. Não sou deste tempo, nem quero ser ensinado a ser…